quinta-feira, 15 de junho de 2017

Secretaria de Saúde emite alerta para notificação imediata em caso de peste bubônica no Ceará

42 municípios estão inseridos na vigilância da doença causada pela mesma bactéria da peste negra - que dizimou milhares de pessoas na Idade Média. Mas, não há notificação no CE desde 2005, e risco de epidemia é praticamente nulo.

Alerta para notificação imediata de peste bubônica foi emitido nessa segunda-feira, 12, pela Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa). O último caso da doença no Estado foi confirmado em 2005, por exame sorológico, no município de Pedra Branca. A nota técnica da secretaria orienta vigilância em 42 cidades cearenses.
A peste bubônica é transmitida pela bactéria Yersinia Pestis, a mesma da peste negra, doença que matou milhares de pessoas na Europa durante a Idade Média. Essa bactéria tem como vetores pulgas de dezenas de espécies. Os principais hospedeiros são os roedores, como camundongos, ratos, capivaras e até porquinhos-da-índia.
Humanos não são os hospedeiros naturais, mas contraem a doença sendo mordidos pelas pulgas infestadas nesses animais ou inalação de ar contaminado, no caso de pneumonia grave. O contato com os roedores ocorre, segundo a secretaria, quando o homem invade os ecossistemas desses hospedeiros infectados em atividades de caça, agricultura, comércio ou lazer.
Animais domésticos, tais como cães e gatos domésticos, também estão associados a algumas das principais espécies de pulgas da peste. " Fortaleza teve uma epidemia de peste no século XIX e primeiro metade do século 20. Nos dias de hoje, é muito improvável que ocorra epidemia porque as condições de vida mudaram", explica o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roberto da Justa.
Ainda que a doença possa ocorrer em todo o território, inclusive urbano, o risco de epidemia é quase nulo devido às melhores condições de higiene. "Apesar de ainda termos muitos defeitos em termos de saneamento, a situação sanitária melhorou (em relação ao período de infestação). Era uma doença bem grave e dizimava muitas pessoas, mas contamos agora com antibióticos que há 100 anos não existiam", frisa.
No Estado, as áreas com focos de peste e, portanto, de importância para a vigilância, estão localizadas nas Serras de Baturité, Serra do Macaco, Uruburetama, Pedra Branca, Ibiapaba, Matas e Chapada do Araripe, conforme a nota técnica.
A nota da Sesa destaca que "a persistência desses focos deve ser considerada uma ameaça real e permanente de acometimento humano nessas regiões, que pode estender-se para outros lugares, inclusive centros urbanos, tornando-se imperativo que os técnicos de saúde estejam preparados para lidar com o problema".
Casos no CE
Na década de 1980, foram notificados 76 casos de peste bubônica no Ceará e na Paraíba, com a ocorrência de três mortes. Entre 1994 e 1997, foram confirmados laboratorialmente no Ceará três casos da doença - dois em Guaraciaba do Norte e um em Ipu.
De acordo com Roberto, o alerta não é motivo para pânico, mas é importante para prevenir qualquer forma da peste. A recomendação é, em ambientes mais rurais, proteger as pernas para evitar transmissão por roedores que possam estar contaminados.
Os sintomas da peste bubônica relatados na nota técnica da Sesa são mal-estar, abatimento, dor de cabeça, dores no corpo, vômitos, pulso acelerado, arrepios de frio, febre alta, bubões. Já a peste pneumônica pode acarretar arrepios de frio, dor de cabeça intensa, delírio ou prostração absoluta, respiração ofegante, tosse frequente, escarro abundante (a princípio claro, depois sanguinolento), e pulso acelerado.
A Sesa define como caso suspeito o paciente sintomático ganglionar (manifestação da bubões ou adenite dolorosa) ou respiratório (manifestação de tosse, dispneia, dor no peito, escarro muco-sanguinolento) com febre e/ou mais dos sintomas: calafrios, cefaleia, dores no corpo, fraqueza, anorexia, hipotensão e/ou pulso rápido/irregular oriundo de zonas ativas de ocorrência da peste (1 a 10 dias).
AMANDA ARAÚJO

terça-feira, 13 de junho de 2017

5 dicas científicas para você ser feliz no amor

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Porque é tempo de pensar em amor. Mesmo que por imposição – afinal, por quantas esquinas você passou na segunda sem ver qualquer propaganda sobre o Dia dos Namorados? Então pra pensar nele sem rancor, a ciência deixa cinco dicas para você ser feliz no amor.
Durma bemO sono é fundamental. Numa pesquisa americana, 60 casais tiveram de listar diariamente, durante alguns dias, 5 atitudes legais do parceiro. E também contavam quanto tempo dormiam em cada noite. Numa segunda parte do experimento, eles resolviam juntos alguns desafios de lógica. Quanto mais eles dormiam, mais valorizavam os pontos positivos do parceiro. É que o sono acaba deixando a gente egoísta e sem tempo e paciência para prestar atenção nos carinhos do companheiro.
Seja feministaPois é, ter a cabeça aberta faz bem para o relacionamento. Pesquisadores americanos perguntaram a mais de 500 pessoas que namoravam há mais de quatro anos se concordavam com algumas ideias machistas (do tipo “mulheres não deveriam se preocupar com emprego”) e quão felizes estavam com a vida sexual. E os feministas eram de longe os mais felizes: o sexo era melhor e os relacionamentos mais estáveis. Os cientistas ainda não sabem explicar o motivo, mas desconfiam que homens feministas entendam e apoiam mais suas namoradas.
Não veja comédias românticasTudo dá certo nos romances do cinema – um mundo todo romântico, cheio de surpresas e declarações de amor. Mas esperar que o mesmo aconteça na vida real é pedir para se dar mal. Foi o que mostrou uma pesquisa americana em que 392 voluntários preencheram um questionário sobre felicidade no relacionamento e sobre comédias românticas, novelas e seriados (quanto acreditavam em frases como “a televisão mostra os relacionamentos como eles realmente são” ou “a tevê me ajuda a entender o que eu posso esperar dos meus relacionamentos”). Quanto mais levavam a sério os romances de mentira, menos satisfeitos estavam com os amores da vida real.
Beba com seu amorSim, aproveite para brindar hoje, de preferência com um bom vinho. Pesquisadores americanos avaliaram o comportamento de 69 casais heterossexuais jovens, de uns 20 anos. E eles eram mais felizes quando bebiam juntos – mas não muito, de um a três drinks. Mas que isso a coisa ficava meio perigosa.
EngordemDizem que esposas magras são o segredo de casamento feliz. Mas isso não parece assim tão verdadeiro. Outra pesquisa acompanhou 169 casais recém-casados durante quatro anos. A cada seis meses eles perguntavam sobre felicidade e bem-estar e pesavam os pombinhos. Cada vez que se diziam felizes, os casais apareciam mais gordinhos – em média, o índice de massa corporal deles aumentava 0.12 a cada seis meses. Portanto, coma sem medo o jantar delícia naquele date.

Seu nome combina com você?

Políticos cujos nomes e rostos ornam conseguem até 10 pontos percentuais a mais em eleições, de acordo com novo estudo.

“Qual seu nome?”
Se alguém extremamente dramático te fizer essa pergunta, só há duas tréplicas possíveis: a premonitiva “Ai, eu ia chutar isso. Combina com você”, ou a igualmente forçada “Nossa, mas não tem nada a ver contigo. Você tem uma carinha de quem chama [insira um nome absurdo aqui]”. Chatíssimo, mas a ciência está começando a explicar porque isso acontece.
A resposta está vindo em um novo estudo da Universidade Otago, na Nova Zelândia. Para chegar a uma conclusão, pesquisadores resolveram se apoiar na teoria de Bouba/Kiki, uma linha de pensamento que pode ser exemplificada com um teste rápido: pense em uma bola e em um pedaço de vidro. Agora, você tem que dar nomes a eles. Um vai chamar Bouba e outro Kiki. Acontece que a grande maioria das pessoas tende a chamar a bola de Bouba e o vidro de Kiki. Isso porque, de acordo com a teoria, existem palavras que nos remetem a figuras arredondadas e outras que soam pontiagudas.
Agora voltando ao seu próprio nome. Os pesquisadores neozelandeses traçaram um paralelo entre como as pessoas são chamadas e o formato de seus rostos. Na prática, eles perceberam que Jorge, por exemplo, é uma palavra redonda – se ele tiver um rosto fino, pode causar alguma estranheza. O mesmo aconteceria caso aquela sua amiga Patrícia tivesse uma cara um pouquinho mais  arredondada – já que é um nome muito mais próximo de Kiki do que de Bouba.

Os estudiosos fizeram testes com 513 voluntários. Os experimentos variavam, mas sempre traçavam um paralelo entre o rosto de fulano e qual é o nome dele. Em um primeiro momento, por exemplo, mostraram uma série de caricaturas aos participantes, e pediram para eles dizerem como as pessoas desenhadas chamavam. Mais tarde fizeram o mesmo processo, só que dessa vez com fotos. Nesses dois casos, as pessoas tendiam a relacionar, de forma inconsciente, o formato dos rostos com a sonoridade dos nomes. Em um terceiro teste, mostraram fotos já com nome, e perguntaram aos participantes se tinham algum tipo de simpatia pelas pessoas retratadas. Adivinhe só: os mais queridos foram justamente os que tinham faces que combinavam com seus nomes.
Por fim, os pesquisadores resolveram testar a ideia com o grupo que mais precisa de você: os políticos. Eles mostraram para os voluntários fotos de candidatos que concorreram ao senado americano entre 2000 e 2008. A ideia era ver se os nomes dos políticos soavam compatível com suas feições. Todas as fotos eram de homens brancos (para evitar que qualquer tipo de racismo ou machismo interferisse nos resultados). Os resultados foram surpreendentes. Quando cruzaram os dados, os pesquisadores perceberam que os candidatos com rostos e nomes ornando conquistaram até 10 pontos percentuais a mais que seus oponentes.
Fica a dica: quando for escolher o nome dos seus filhos, pense no rostinho deles – isso pode fazer deles presidente um dia.

terça-feira, 28 de junho de 2016

CIÊNCIA BENEFÍCIOS DO SONO Você está dormindo o suficiente? 6 benefícios incríveis que dormir traz para você

POR Melinda Johnson, de HUFFPOST BRASIL ATUALIZADO EM 28/06/2016

beneficios do sonoiStock

Como professora universitária, vivo cercada por jovens que não dormem o suficiente e que às vezes se orgulham de sua condição crônica de privados de sono, trocando figurinhas para ver quem dormiu menos antes de um exame importante.
Mas a verdade é que deixar de dormir o suficiente é contraproducente, quer você fique acordado para estudar para um exame ou ?queime a vela nas duas pontas? (ou seja, acorde cedo e durma tarde) por outras razões. Pesquisas já mostraram claramenteque dormir o suficiente nos ajuda a ter um desempenho melhor em tarefas mentais e também quando se trata de memorizar informações.
Veja seis outras razões por que ir para a cama cedo deve ser uma prioridade.
1. Evita resfriados
Um estudo publicado em abril no periódico JAMA Internal Medicine concluiu que as pessoas que dormem cinco horas ou menos por noite têm mais chances de ter tido um resfriado ou outra infecção nos últimos 30 dias.
Essa informação confirma os resultados de estudos anteriores, incluindo um em que o vírus do resfriado foi dado propositalmente aos participantes para ver quais deles adoeceriam. Os participantes que dormiam menos horas tiveram probabilidade quase três vezes maior de contrair um resfriado, comparados aos que dormiram oito horas ou mais.
2. Nós nos exercitamos melhor
Já foi comprovado que o exercício físico melhora nossa capacidade de dormir bem, e o inverso também é verdade: dormir bem melhora nossa performance quando malhamos. Por outro lado, pesquisas revelam que quando você não dorme o suficiente, é mais difícil se exercitar, de modo que seu treino será mais curto ou menos intenso.
Estudos feitos com atletas indicam que a performance em esportes pode ser prejudicada quando a pessoa não dorme o suficiente e que a recuperação após a prática do exercício leva mais tempo.

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3. Controla os hormônios do apetite
Nosso corpo tem hormônios que estão sempre ativos, criando sensações de fome ou saciedade. Estudos de laboratório feitos com humanos mostram que os hormônios da fome ? grelina, leptina e insulina ? deixam de atuar corretamente quando o sono é interrompido antes da hora.
Além disso, os estudos constataram que a sensação de fome aumenta quando as pessoas não dormem o suficiente e que as pessoas que não dormiram o suficiente tendem a escolher alimentos ?reconfortantes?, com teor calórico mais alto.
4. Ajuda a prevenir enxaqueca
Em estudo sul-coreano, pessoas que sofrem de enxaqueca usaram um diário em seus smartphones para anotar suas dores de cabeça e tentar identificar os gatilhos comuns das enxaquecas.
Os três gatilhos principais identificados foram sono insuficiente, fadiga e estresse. Outro estudo publicado no periódico Headache demonstrou uma redução nas enxaquecas quando as mulheres que tendem a apresentá-las dormiam mais.
O sono fomenta o controle do nível de glicose no sangue.
5. Melhora o controle de açúcar no sangue
Quando rapazes saudáveis passaram três noites seguidas sem dormir o suficiente, dentro de um estudo publicado no periódico Diabetologia, eles acabaram em condições pré-diabéticas. O teor de ácidos graxos livres em seu sangue subiu, dificultando o trabalho da insulina de reduzir o açúcar no sangue. Outro estudo feito com quase 15 mil adultos coreanos encontrou um vínculo entre privação de sono por menos tempo e nível mais alto de glicose no sangue, especialmente em homens.
6. Ajuda no combate à obesidade
Muitos estudos observacionais já apontaram uma ligação entre obesidade e sono inadequado, em crianças e adultos. Isso provavelmente se deve a uma série de fatores. Para começar, pessoas sonolentas têm menos chances de se exercitar e tendem a fazerdecisões alimentares piores.
Mas há outros fatores que também entram em jogo, como o índice metabólico mais baixo e a intensificação dos desejos alimentares. Um estudo publicado na revista Obesity mostrou que o índice metabólico matinal é mais baixo quando as pessoas não dormiram o suficiente.
Outro estudo, este da Universidade da Pensilvânia, demonstrou que ocorre mais ganho de peso em pessoas que seguiram um programa de privação de sono, comparadas às pessoas que puderam dormir o suficiente.
Como dormir o suficiente?
Comece adotando uma rotina e um horário regular para ir para a cama, acrescente a prática de exercícios físicos durante o dia, reduza o consumo de cafeína depois do meio-dia, limite sua ingestão de nicotina e álcool, deixe seu quarto escuro, fresco e silencioso, e, se for preciso, consulte um especialista em sono.

Desconfiamos mais dos políticos quando estamos com sono

Fica mais difícil dar trela para discursos carismáticos depois de uma noite mal dormida.


Desconfiamos mais dos políticos quando estamos com sono

Fica mais difícil dar trela para discursos carismáticos depois de uma noite mal dormida.
POR Ana Carolina Leonardi EDITADO POR Tiago Jokura ATUALIZADO EM 28/06/2016

Desconfiamos mais dos políticos quando estamos com sonoiStock

O carisma está entre entre as características mais importantes para um político. Natural, treinado ou fingido, o carisma estimula o respeito e o orgulho entre os seus seguidores e até passa a impressão de que o líder tem uma "missão extraordinária" - o próprio Hitler chegou tão longe por, infelizmente, ser um líder carismático.
Mas existe um antídoto comprovado até para o maior dos carismas: o sono. Nem a mais trabalhada retórica é capaz de inspirar um público sonolento, comprovou um estudo americano publicado no Journal of Applied Psychology.
Para medir o impacto dos Zzzs da nossa opinião sobre políticos, os pesquisadores convocaram líderes estudantis para simular discursos cativantes. As cenas foram filmadas e cada vídeo recebeu uma nota quanto ao nível de carisma dos "políticos".
Depois, os cientistas mostraram os vídeos a outros estudantes, divididos em dois grupos. O primeiro, na noite anterior ao estudo, acordou de hora em hora, das dez da noite às cinco da manhã, para preencher uma pesquisa. O outro grupo teve direito a uma noite normal de sono.
Chegando no laboratório, cada participante assistiu a três vídeos: um com um líder muito carismático, outro com um orador moderado e outro com uma performance ruim. Depois, eles deram suas próprias opiniões sobre o nível de carisma do político que falou.
No resultado, não importou a qualidade do discurso: quem não dormiu direito a noite deu notas muito piores aos líderes do que o grupo que teve uma boa noite de sono.
O impacto é muito maior do que um simples mau humor matinal. Nossa percepção sobre o carisma de uma pessoa influencia o quanto estamos dispostos a aceitar sua autoridade. O que o estudo indica é que uma única madrugada agitada aumenta a desconfiança e diminui o respeito pelo líder sem que nada no seu próprio comportamento tenha mudado.
Os pesquisadores destacam ainda que quem não dorme dificilmente reconhece que seu comportamento estranho no dia seguinte está relacionado com a falta de sono e preferem atribuir as sensações negativas a outras razões. É isso que eles acham que acontece com os políticos: o cidadão insone transfere seu sentimento ruim para o líder e atribui os efeitos da falta de sono à falta de carisma.
E não é só o público que é afetado pelo sono. Além dos vídeos usados no primeiro experimento, os cientistas tinham outros 80 discursos de líderes estudantis gravados. Metade dessas fitas mostravam universitários que também tinham passado a madrugada respondendo pesquisas. As consequências foram claras: o líder que não dormiu direito teve avaliações muito piores que os bem dormidos.
Isso porque, para dar uma boa impressão ao público e fazer um discurso emocionante, o político precisa usar o centro emocional do cérebro, a amígdala. Sono de má qualidade afeta a atividade dessa área cerebral, dificulta as conexões entre diferentes regiões do cérebro e piora o autocontrole. Assim, fica difícil reproduzir um discurso que seja, ao mesmo tempo, bem ensaiado e contagiante.
A combinação dos dois experimentos confirmaram o que os pesquisadores esperavam: com a falta de sono, você fica cansado demais tanto para inspirar quanto para ser inspirado.