domingo, 29 de maio de 2016

CIÊNCIA CUIDADOS COM A PELE Como cuidar da sua pele

Adotando alguns hábitos, você pode retardar a chegada dos efeitos do tempo na aparência e preservar sua carteira de identidade: a pele

Como cuidar da sua peleMontagem - Flávio Pessoa | iStock
A ciência da beleza
Pense num pêssego recém-colhido: sua casca é lisinha, aveludada, firme e com uma cor uniforme. À medida que os dias passam, porém, a fruta adquire um aspecto enrugado. Algumas partes da casca apodrecem, deixando manchas, e o aveludado dá lugar ao desidratado.
Por dentro, o pêssego pode até estar pronto para ser consumido, mas você não consegue ver a parte interna. O que enxerga é a casca. Esse processo ocorre de maneira bem semelhante no seu corpo.
A nossa pele é uma casca, um cartão de visitas para o mundo. Não é à toa que ela é a campeã em tratamentos anti-idade.
Na trajetória do envelhecimento, flacidez, rugas, linhas de expressão, manchas, depósitos de gordura localizada e as temidas papadas e pelancas logo batem à porta. Essas características aparecem por dois motivos principais. O primeiro está fora do nosso alcance. São os fatores ligados à genética, aos hormônios e à desaceleração natural do metabolismo. Chamados de "intrínsecos" pelos dermatologistas, eles não podem ser evitados, restando torcer para que os genes trabalhem ao seu favor. É no segundo motivo, porém, o dos fatores externos, que você pode atuar. Nossos hábitos e o meio ambiente influenciam diretamente na pele, como o sol, o fumo, o excesso de álcool, a má alimentação e a desidratação. E alguns cuidados, mais simples do que você imagina, podem fazer a diferença para retardar os efeitos da idade.

Sol: inimigo nº 1

Se você quer foco na luta contra o envelhecimento da pele, combata o sol. Quando incide sobre a nossa cútis, a radiação solar é absorvida pelas moléculas e transformada em calor, processo que provoca danos no DNA e, mais tarde, vai causar o aparecimento de manchas e rugas. Dos vários tipos de radiação que o sol emite (luz visível, infravermelho etc.), duas são mais letais: a ultravioleta do tipo A e a ultravioleta B. A UVB é aquela que causa as famosas queimaduras solares, e não conseguem penetrar profundamente, atingindo somente a camada mais externa da pele, a epiderme, onde estão células de defesa e proteção ao sol. Já a radiação UVA é uma espécie de "matador silencioso", não revela sinais imediatos do seu dano. Ela penetra na derme, a segunda camada da pele, e pode alterar as fibras de elastina e colágeno, fundamentais na sustentação da cútis.
Grosso modo, o colágeno é uma molécula estrutural presente fora das células que deixa a pele firme, e a elastina é uma estrutura elástica (você deve ter adivinhado pelo nome) que permite que a pele retorne à forma original depois de esticada. Suas fibras têm o desempenho similar ao de uma borracha: quando novas, podem ser esticadas à vontade que, ao soltar, continuam firmes. Já mais velhas, depois de muito vai e volta, não retornam mais à forma original. No corpo, o colágeno e a elastina diminuem naturalmente com o passar dos anos, mas a alteração provocada pelos raios UVA pode acelerar o processo de flacidez. O contra-ataque vem em forma de protetor solar de, no mínimo, 30 FPS, que deve ser aplicado todos os dias, mesmo naqueles nublados ou com chuva. Outra solução é evitar longos períodos de exposição ao sol e bater em retirada.

Os nutrientes

Para ter uma aparência jovem por mais tempo, você deve entender que a sua pele precisa de nutrientes. Duas vias para nutri-la são a ingestão de água, que elimina resíduos que envelhecem a pele, e uma dieta balanceada. A terceira alternativa vem da farmácia: hidratar a pele pelo lado de fora. Cremes, géis e séruns abastecem a pele com  substâncias como vitaminas A, C e E e ácido hialurônico, acrescentados nos dermocosméticos. O sérum - que não é tão seco quanto o gel nem tão denso e oleoso quanto o creme - costuma ter concentração maior de ativos. No Brasil, sua aceitação é maior que a do creme, que, por sua vez, acaba funcionando mais como uma barreira física contra a perda de água. À base de água - ao contrário do creme, feito predominantemente de óleo -, o sérum facilita a passagem desses ativos através da pele em direção às células.
Cada substância tem uma ou mais funções. As vitaminas A, C e E têm poder antioxidante; a vitamina C  ainda ajuda a eliminar manchas; e o ácido hialurônico - o mesmo usado para preenchimento na forma injetável - devolve o viço à pele. Nas próximas páginas, entenda o que a ciência diz a respeito dos dermocosméticos, que prometem verdadeiros milagres para a pele.

Sinal de fumaça

Na guerra contra o envelhecimento, fumantes já saem perdendo feio. O tabagismo provoca o que os médicos chamam de vasoconstrição, ou seja, diminuem o calibre dos vasos sanguíneos. As consequências são dificuldade de oxigenação dos tecidos, rugas precoces e coloração amarelada na pele. "Estudos mostram que o cigarro pode causar mais envelhecimento que o próprio sol", diz a dermatologista Valeria Campos, assessora do Departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O mesmo processo se repete quando abusamos de bebidas alcoólicas, outro péssimo hábito para quem deseja manter a pele bonita. O álcool estimula a formação de radicais livres, aquelas moléculas instáveis que danificam as células. A exceção é o vinho tinto, que, se consumido moderadamente, previne esses radicais livres, explica Valeria.

A nova droga nas baladas europeias... é uma que você quem sabe até já tomou hoje

Viciados em chocolate podem agora cheirar cacau em pó em raves do velho continente
POR Fábio Marton ATUALIZADO EM 24/05/20

A rave já se estende pela manhã. Alguém tira um pacotinho, encontra um canto num balcão e estica uma carreira de certo pó misterioso. Um pó que é marrom e tem um cheiro bizarramente familiar. Não é um cheiro de balada, mas de infância e da casa da mamãe.
O pó vem de uma planta da América tropical, é perfeitamente legal e você talvez tenha tomado agora a pouco por via oral: a planta é o Theobroma cacao e o pó é simplesmente chocolate.
ideia apareceu na rave Lucid, em Berlim, onde qualquer coisa que não seja o cacau, chás herbais e pratos vegetarianos são proibidos – inclusive álcool. Lá o cacau vem em drinques. Outra rave, aMorning Gloryville, oferece também em forma de pílulas. E o cholatier belga Dominique Persoone chegou a criar um aparelho para cheirar chocolate em 2007, para uma festa com os (ironia) Rolling Stones. Já vendeu 50 mil deles.
Os defensores do cacau dizem que o barato é sutil, mas perceptível. Uma sensação de paz, prazer e concentração. Mas precisa ser cacau cru, não chocolate em pó – chocolate contém manteiga de cacau e açúcar, o que diminui os princípios ativos para menos de 10% do puro.
Funciona? Toda a ciência do mundo não consegue dar a alguém uma sensação, saber como é experimentar uma coisa ou outra. Só experimentando. Mas há razões para desconfiar que a “nova” droga não é tão diferente assim do toddynho da vovó.
A mágica do chocolate ainda não está bem esclarecida. Além de teobromina, seu psicoativo mais famoso, chocolate tem tambémtriptofano, que é relacionado à produção de um dos hormônios do bem-estar, a serotonina – mas clara de ovo tem dez vezes mais. Outro candidato é a feniletilamina – um composto que é liberado pelo cérebro durante o orgasmo – mas essa tem um sério problema de ser destruída no estômago antes de chegar ao cérebro (nenhum teste foi feito pelo nariz). A teobromina em si não é tudo isso: até onde se sabe, é uma versão mais leve da cafeína, que é quimicamente quase igual. Ele demonstra potencial para o tratamento de asma e problemas circulatórios, não de tédio.
O prazer de comer chocolate provavelmente tem mais a ver com ser delicioso: comer algo bom libera endorfina no sangue, causando uma sensação de calma e prazer.
Pelo menos, ninguém vai morrer de overdose: uma dose mortal de chocolate puro (sim, isso existe) é por volta de 30 quilos para uma pessoa de 70 kg. Só não convide o cachorro para a festa: para eles, ateobromina pode ser letal em doses bem menores.

sábado, 23 de abril de 2016

CIÊNCIA TEORIA DA EVOLUÇÃO CHARLES DARWIN BACTÉRIAS Em terra de homem, bactéria é rainha: conheça a nova árvore da vida

Em terra de homem, bactéria é rainha: conheça a nova árvore da vida

Grupo internacional de cientistas acrescentou mil novos microrganismos ao diagrama que mostra a evolução das espécies
POR Ana Carolina Leonardi ATUALIZADO EM 20/04/2016
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Desde que Darwin elaborou a Teoria da Evolução, cientistas têm tentado encontrar o modelo ideial para mostrar toda a história da evolução. A árvore da vida se tornou um dos desenhos mais simbólicos e interessantes para esse propósito: partindo de um tronco único, a origem da vida, surgem galhos cheios de ramificações, que mostram como as espécies se diversificaram ao longo do tempo.
O modelo mais exato de uma árvore genealógica da vida até hoje era o chamado "Hillis Plot": um diagrama que mostra toda a evolução biológica desde o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de anos. E vai dos primeiros seres unicelulares até os humanos, felinos, insetos, conchas e esponjas modernas que dividem o planeta com a gente - todos filhos de um ancestral comum, a primeira forma de vida da Terra.
A ciência já classificou 1,7 milhão de espécies, e imagina que existam mais ou menos 9 milhões no planeta - a imensa maioria espécies distintas de bactérias. 
O Hillis Plot, porém, é só uma simplificação. Ele foi feito a partir da análise do material genético de 3 mil espécies, e desenhado de acordo com a semelhança genética entre eles. Essa árvore clássica, porém, subestimou o papel das bactérias no desenvolvimento evolutivo. 
Agora, um grupo de mais de 15 cientistas de universidades dos EUA e do Japão apresentou uma nova versão da árvore da vida, bem diferente. Ela mostra que a história das bactérias ao longo da evolução é incrivelmente mais rica e complexa do que se imaginava. 
Com isso, a árvore cresceu dramaticamente. Com o já conhecido narcisismo humano, versões passadas do diagrama tinham um grande foco no domínio dos eucariontes, o grupo que inclui o Homo sapiens. A nova árvore da vida nos força a uma posição de mais humildade: todos os eucariontes - animais, fungos e plantas - ficam espremidos em um pequeno galho, pois são caçulas da evolução com meros de 2 bilhões de idade, completamente ofuscados pelo imenso histórico evolucionário do grupo das bactérias, que remonta à própria origem da vida. 
Para isso, os cientistas analisaram o genoma de mais de mil microrganismos jamais catalogados - em muitos casos, bactérias que vivem em ambientes remotos, como o sal do Deserto do Atacama e ecossistemas subterrâneos no Japão.
A grande árvore e suas ramificações
Na biologia, Charles Darwin usou o conceito de "árvore da vida" em seu livro A Origem das Espécies (1859): "A grande árvore da vida preenche as camadas da crosta terrestre com seus ramos mortos e quebrados enquanto que as suas magníficas ramificações, sempre vivas e renovadas incessantemente, cobrem a superfície". Só a descrição da árvore nesse trecho já serve de metáfora para toda a teoria de Darwin. Os galhos mal adaptados se quebram e morrem e são substituídos por galhos novos, e melhor adaptados.
Árvore de Haeckel mostra suposta evolução do homem
Alguns anos mais tarde, o biólogo Ernst Haeckel criou uma série de árvores da vida. Haeckel chegou a desenhar uma árvore mostrando a suposta linha de antepassados do homem, começando em espécies mais simples como bactérias, evoluindo para espécies progressivamente complexas, até chegar ao homo sapiens.
Essa visão linear e progressiva da evolução era comum nos séculos XIX e XX. As teorias da época partiam do princípio de que a seleção natural tornava as formas de vida cada vez mais complexas, até chegar às de hoje - tendo o Homo sapiens no papel de supra-sumo da evolução, musa definitiva da saga da vida. Nada mais equivocado. Hoje, as evidências apontam para uma evolução não-direcional: de acordo com as condições do ambiente, a seleção natural pode tanto favorecer um aumento quanto uma diminuição da complexidade dos organismos que ali vivem. Daí que as unhas dos tigres são máquinas de matar, e as nossas mal servem para roer; daí para as baleias conversarem com desenvoltura dentro d'água, o ambiente delas, e nós não travarmos grandes diálogos enquanto estamos com a cabeça submersa na pscina. 
Além disso, na época de Haeckel, a classificação dos seres vivos ainda dependia quase que exclusivamente da observação. Quanto mais parecida era a anatomia de duas espécies, mais próximas evolutivamente elas eram consideradas. A ordem evolutiva das espécies foi estabelecida literalmente "no olho". É dessa época que vêm as primeiras classificações de gêneros, classes e reinos que aprendemos até hoje nas aulas de biologia.
Por tudo isso é que o DNA revolucionou as árvores da vida. Com o sequenciamento do genoma das espécies, passamos a ter uma base muito mais sólida para investigar as relação entre os seres vivos.
Primeira árvore da vida universal, baseada na pesquisa de Woese e FoxWikimedia Commons
Primeira árvore da vida universal, baseada na pesquisa de Woese e Fox
A primeira árvore universal
Foi nos anos 70 que foi desenhada a primeira árvore a apresentar o histórico evolutivo de todos os seres vivos. Os americanos Carl Woese e George E. Fox dividiram todas as formas de vida entre três grandes galhos partindo do tronco do primeiro antepassado comum: o domínio Bacteria, o Eukarya (em que estão incluídos os animais, as plantas e os fungos) e, por último, o domínio Archea, classificado pela primeira vez por Woese e Fox, composto por micróbios que vivem em ecossistemas extremos, muito quentes, ricos em ácido ou sem oxigênio.
Modelo colorido do Hillis plot
A mais bonita
A década passada viu nascer a mais bonita das árvores da vida. Conhecida como "Hillis plot", ela foi criada pelos pesquisadores David M. Hillis, Derrick Zwickl, and Robin Gutell, da Universidade do Texas. O desenho é resultado do estudo de amostras genéticas de 3 mil espécies - cerca de 0,18% do 1,7 milhão de espécies formalmente classificadas pela ciência. Desde que foi publicado, em 2003, o desenho já virou papel de parede, entalhe em tronco de árvore e até tatuagem.
Tatuagens circulares como o Hillis plot estão até na moda. Mas agora, com o  modelo atualizado, é que os fãs da ciência vão se destacar de verdade - pelo menos aqueles que tiverem coragem de tatuar esse novo catavento evolutivo.

Genética pode prever quando você vai perder a virgindade

Marcas no nosso DNA conseguem indicar quando vai ser sua primeira vez.

Genética pode prever quando você vai perder a virgindade

Marcas no nosso DNA conseguem indicar quando vai ser sua primeira vez
POR Felipe Germano ATUALIZADO EM 19/04/2016
VirgindadeiStock
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"Não apresse as coisas", ou "Ainda não rolou?" são frases comuns na vida de quem ainda é virgem. Geralmente elas são acompanhadas de alguém dando o velho conselho "Calma, a gnete nunca sabe a hora que essas coisas vão acontecer". Bom, eles que digam por si mesmos, porque seu DNA carrega fortes indícios de quando sua primeira vez vai acontecer. Isso é o que dizem autores de um estudo publicado na revista Nature. De acordo com eles, o prazo de validade da sua virgindade está nos seus genes.
Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os genes de 125 mil pessoas - de ambos os sexos - nascidas na Inglaterra, 240 mil homens islandeses e 20 mil mulheres americanas. Com essa base de dados, chegaram à conclusão que 38 marcas genéticas estão relacionadas com a virgindade (ou a ausência dela). Isso ocorre porque essas marcas tendem a mostrar quando a pessoa irá entrar na puberdade, e consequentemente o início da vida sexual.
As marcações também apontam indícios comportamentais das pessoas estudadas. Cientistas perceberam que algumas dessas marcas estão ligadas à indivíduos que correm mais riscos. Na prática, isso acaba influenciando o início da vida sexual.
Claro que isso não determina exatamente quando você vai perder a virgindade. É só um indicativo de quando a natureza quer que isso role na sua vida. "Fomos capazes de calcular, pela primeira vez, que há um fator hereditário relacionado à primeira relação sexual" , afirmou ao The Guardian John Perry, especialista em reprodução da Universidade de Cambridge.
Os pesquisadores apontam que, no futuro, o estudo poderá ajudar a determinar qual a hora certa para as aulas de Educação Sexual.